Jigoku e no kikan (Cap 2 - P.1)

(A verdadeira história)


RENASÇA!

Jackson: Ahhh! (respiração ofegante)

Maria: Jackson, tá tudo bem, eu tô aqui, tá tudo bem.

Narrador: E eu, com apenas 8 anos, acordo minha mãe mais uma vez às 3 horas da manhã, sempre com o mesmo pesadelo. Somos tão frágeis quando criança. Tememos os pesadelos até entender que são apenas pensamentos... medos, histórias que nossa própria mente cria para nos assustar.

Jackson: (chorando) Eu o vi de novo, mãe. Ele estava me olhando e rindo. Era tão assustador.

Maria: Shh... tá tudo bem. Mamãe tá aqui com você agora. Ela te protege. Nada vai acontecer com você.

Narrador: Eu confiava nela.

[Jackson, agora com 15 anos]

Narrador: Durante o ensino fundamental, era apaixonado por uma garota, Tay. Não tinha intimidade com ela, afinal, ela fazia parte do grupo dos populares, que não iam com a minha cara. Mas todo dia podia me iludir um pouco mais ao passar por ela, sempre com uma carinha de bobo apaixonado.

Peter: Ei, parou aí.

Jackson: Anh...

Peter: Qual foi, cara, por que estava olhando pra ela?

Jackson: Eu...

Peter: O quê? Você não tá interessado nela, né? (risada) Cara, o seu público é aquele ali, tá vendo? Nerds e esquisitas, igual a você.

Narrador: Tay riu. Acho que ela nem percebeu... mas eu percebi.

Jackson: Deixa eu passar.

Peter: Nanana... Que foi? Tá com pressa? A gente tá no tédio e agora você vai divertir a gente, panaca!

Ryan: É, o Peter escolheu você, panaca.

Jackson: Peter, é sério, deixa eu passar, senão...

Peter: senão o quê? Fala, vai me bater?

Jackson: Ah... é.

Peter: Ai, que "MeDa" dele. (abaixando o tom da voz) Vou até chegar mais perto. Quero ver se tem coragem.

Pensei no momento: Aquilo iria me custar caro. Eram dois. Mas acho que seria melhor do que virar chacota na frente da Tay. Pelo menos estaria me defendendo. Narrador: Hum... pobre criança.

Ryan: Vai, mostra que você é homem.

Peter: BATE!

(Jackson fecha a mão)

Peter: (rindo) Tá vendo? Eu falei que ele não teria coragem. Agora, presta atenção, corajoso. Se tentar pagar de fodão de novo, eu vou...

(Pum!)

Jackson: Por que eu fiz isso?

Narrador: Todos olharam, e o silêncio dominou depois dos sons de espanto.

Peter: Agora você tá fodido!...

Diretor: Ei! O que vocês estão fazendo aí no corredor? Já pra sala.

Narrador: Meu Deus, tive sorte.

Diretor: Peter, larga o Jackson. Ele sabe andar.

Peter: Isso ainda não acabou, babaca.

Ryan: É, você cometeu um erro, Jackson.

Narrador: Em mais uma aula, não conseguia prestar atenção no que o professor falava, apenas pensava em como poderia evitar os valentões durante todo o ano...

Professor: A aritmética é focada no estudo dos números e das operações básicas, entre elas a adição, a subtração, a multiplicação e a divisão. Ela é a base da matemática e fundamental para aprender os demais conteúdos matemáticos.

(Sino para o intervalo)

Jackson: Droga!

Narrador: Corri para fora da sala o mais rápido possível naquele dia. Não foi fácil, os outros fizeram o mesmo, por motivos diferentes. Afinal, era estrogonofe na cantina. Meu plano foi ficar na porta da sala do diretor até acabar o intervalo. Foi chato e tenso. Duas vezes, de longe, o Peter me encarou... Esperando o som do sino para subir junto com o próximo professor que daria aula na minha sala, vi a Tay passando, tão linda como sempre. Se eu fosse um desenho animado, meus olhos se transformariam em corações naquele momento. 😍

Tay: Oi, Jackson, né?

Jackson: Ahm... ahm... Sim, sou eu. É o meu nome.

Tay: (risadinha) Você foi muito corajoso em dar um soco no Peter. É o primeiro que foi tão ousado. Gostei.

Jackson: Gostou? É que ele me irritou, e eu daria outro se necessário.

Tay: Podemos ver isso mais tarde. Você não me contou que tinha um superpoder.

Jackson: Superpoder?

Tay: É, você tá mudando de cor. Tá ficando vermelho.

Jackson: Nossa, desculpa. (sussurrando) Para de entregar meus sentimentos, corpo.

Tay: (risos) Você é fofo. O que acha da gente sair depois da aula?

Jackson: Eu... adoraria.

Tay: Tá bom. Te espero depois da aula. Até.

(Sino para o fim do intervalo)

Jackson: Até...

Narrador: 15 minutos antes do final de fato da aula, convenci Tay a largar mais cedo comigo. Descobri que ela gostava de açaí e não perdi tempo para levar ela à minha loja favorita de açaí, o "Açaí no Copo".

Jackson: E aí, Marcos.

Marcos: Opa! E aí, Jackson. Veio acompanhado hoje?

Jackson: Sim. Essa é a Tay.

Tay: Thays. Olá.

Marcos: Fala, tu. E aí, vocês vão querer o quê?

Jackson: Eu vou querer um açaí trufado pra mim e pra você, Tay?

Thays: Pode ser um açaí normal mesmo, por favor.

Marcos: É pra já.

Jackson: Vamos sentar ali enquanto esperamos.

Thays: Tá.

(começa uma música romântica.)

Thays: O que é isso?

Jackson: Vixi, acho que o Marcos tá aprontando.

Narrador: O Marcos veio piscando pra mim... Sim, ele estava aprontando algo.

Marcos: Aqui está.

Jackson: Mas o que que é isso?

Marcos: Então, eu achei que o casal iria gostar se eu fizesse assim. Da metade do copo pra cá é açaí normal, e da metade do copo pra lá, açaí trufado.

Jackson: Mas, Marcos, não foi isso que a gente pediu. (sussurrando) E ela não é minha namorada.

Marcos: Ah, não, tudo bem. Então eu faço outro.

Thays: Não, tudo bem. Eu aceito dividir com o Jackson.

Jackson: Aceita?

Thays: Sim, é bom que eu provo desse açaí trufado.

Narrador: Eu sorri que nem bobo naquele dia. Que vergonha disso.

Marcos: (Sussurrando) Aí, me agradece depois, Jackson. BOM APETITE.

Narrador: Ai, ai... foi o melhor açaí de todos. Ela me olhou com um olhar malicioso. Quando jovem, só via a garota linda como sempre, mas agora, um reflexo de mim mesmo. Depois de terminarmos o açaí...

Thays: Érr

Jackson: O que foi, Tay?

Thays: (suspiro) Jackson, eu quero te levar para um lugar.

Jackson: Que lugar?

Narrador: Alguns dizem que o amor é cego, mas eu digo que o amor é uma arma. E uma arma muito poderosa...

Jackson: Esse lugar é meio isolado. (rindo de nervoso)

Peter: Olha só, nosso convidado de honra chegou. Foi tão fácil como imaginei, Tay?

Jackson: Tay?

Thays: Desculpa, Jackson.

Peter: Ah, é, Jackson. Estava te esperando.

Narrador: Nunca apanhei tanto na vida...

Narrador: Após isso, voltei pra casa mancando e com várias marcas pelo corpo.

Ricardo: Filho, sua mãe não vai mais voltar pra casa. Ela me traiu e se mudou pra Europa com um riquinho. (suspiro) Essas mulheres são todas iguais.
(plim)
Por que sempre eu sou traído? Aaaah!
(plim)
Desculpa, filho, papai tá bêbado.
(plim)
(Áudio chorando)

Narrador: Hoje não sou mais o Jackson. Eu sou o Jason, o Vinicius, o James. Hoje eu sou o...